Thursday, May 24, 2018

3 dicas para manhãs mais tranquilas

criança cama dos pais (Foto: ThinkStock)

 

Aí toca o despertador do meu celular, quase que como uma orquestra sincronizada, vem o som da galerinha que já não vê a hora de encontrar papai e mamãe de pé. Estão a postos na porta do meu quarto. Três pares de olhos. Pular na cama com certeza será o próximo passo. Nesse momento é tudo o que posso dizer sobre essa cena. Melhor ficar em silêncio. Respirar em silêncio.

Acordo, olho para o marido, que continua dormindo ou fingindo, nunca se sabe. Aqueles mais dez minutinhos de sono, que o querido botão soneca me permite, são vitais para começar o dia com mais disposição e penso porque tenho medo de falar em voz alta.

Pensar, afinal, não faz ninguém te julgar e muito menos te culpar. Mas é aí que você se engana. A culpa está sempre lá, sempre esteve. Rondando nossas mentes. Veio com filho número 1 com tanta intensidade, derramadas tantas lágrimas, que, para os filhos número 2 e 3, tive que aprender e aceitar que a culpa e a mãe são praticamente melhores amigas e que para todo sempre andarão de mãos dadas - e tudo bem.

Agora chega de desculpinha, porque não estou nas minhas sessões de análise e tenho três crianças me esperando. Como dizemos por aqui, vamos mergulhar. Descobri, com o tempo, que, para as manhãs serem mais tranquilas, podemos ter algumas táticas tão simples e viáveis que, com certeza, aqueles dez minutinhos de sono tão importantes poderiam se transformar em mais uma hora de descanso. Isso é que é sorte. Aliás, sorte, não: planejamento. Lápis e caneta na mão para anotar as ideias:

Olha esse cantinho de desenho? Pura inspiração (Foto: Divulgação/ Lz Mini + Egg Kids)

 

1. Deixar os brinquedos das crianças totalmente acessíveis e organizados é meu lema número um.
Isso, é claro. prezando sempre pela segurança delas. A melhor forma de fazer isso é montando uma brinquedoteca bem lúdica, com mesinha para desenhar, todos os tipos de papéis, lápis e canetinhas (nessa hora, uma tinta lavável nas paredes ajuda - e muito!). Jogos, quebra-cabeças, massinha... Tudo é bem-vindo!

2. Brinquedos de madeira, educativos e que não precisam de instruções ou regras.
Eles permitem que os pequenos criem suas próprias histórias e desenvolvam a imaginação. Quanto mais criatividade, melhor!

Livros podem ajudar (Foto: Divulgação/ Lz Mini + Fita Arquitetura)

 

3. E aquele cantinho de leitura mais fofo e aconchegante?
Com a seleção de livros sempre renovada, uma iluminação bacana e muitas almofadas? Sucesso garantido! 

Esse quarto.... Não dá nem vontade de sair! (Foto: Divu/ Lz Mini + Bianca da Hora)

 

E, por fim, tente ensinar as crianças a brincarem sozinhas. Se nada disso der certo, você pode usar a tática do marido e fingir que está dormindo. Pelo menos, por mais alguns minutinhos.

Anny Meisler (Foto: Divulgação)

 

Anny Burdman Meisler é mãe de Nick, 5 anos, Tom, 3, e Chiara, 1, e vive no mundo da decoração desde sempre. Depois da maternidade, tudo ficou mais colorido e ela mergulhou de cabeça nesse universo. Ideias de como montar o quarto dos sonhos, combinando a realidade com a fantasia dos nossos filhos, são com ela mesmo! Escreva para Anny pelo e-mail redacaocrescer@gmail.com.

 



from Crescer https://revistacrescer.globo.com/Colunistas/Anny-Meisler-Decoracao/noticia/2018/05/3-dicas-para-manhas-mais-tranquilas.html

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#AcolhaUmaMãe: “Ter família por perto não significa que alguém vai te apoiar”

Priscilla ao lado do marido Bruno e da filha Eva (Foto: Arquivo pessoal)

"Quando soube que estava grávida, eu não sabia quase nada sobre o universo da maternidade. Mesmo buscando tanta informação e participando de vários cursos durante a gestação, saí do hospital chorando por não saber como faria na minha casa, sem o auxílio das enfermeiras.

Sou casada, tenho cinco irmãos, mãe… Minha família é grande e, mesmo assim, me senti totalmente sozinha nessa fase. Depois que voltei para casa, cada um retomou sua rotina e ninguém tinha a iniciativa de oferecer ajuda ou perguntar se eu estava bem. Custou para que entendessem que eu precisava de atenção. As pessoas pensam que se você tem família, a ajuda é garantida. Mas vi que isso não é verdade. Ter família por perto não significa que alguém vai te apoiar.

No começo, não tive apoio sequer da minha mãe ou do meu marido. Ela se preocupava em cuidar do meu pai, que estava doente. Ele só pensava em trabalho, em conseguir dinheiro para criar nossa filha e acabou esquecendo de todo o resto. Ele saía cedo para ir à empresa eu ficava em casa sozinha, depois de noites inteiras acordando para amamentar, fazendo o bebê arrotar e dormir de novo. Eu ficava tão esgotada que sequer conseguia ter energia para preparar um café da manhã para mim. Teve dias que eu fique até 15h sem comer por causa disso.

Priscilla encontrou apoio em um grupo de mães do seu bairro (Foto: Arquivo pessoal)

 

Quando a Eva, minha filha, completou quatro meses, perdi meu pai. Minha vida virou de ponta-cabeça: tinha que dar conta da minha tristeza, da casa, da família, do bebê… Eu entrei em um estado de ansiedade tão grande, que a minha filha começou a sentir os efeitos disso. Agradeço às professoras da escola que me avisaram que ela estava arrancando os cabelos porque também estava ansiosa. Foi aí que encontrei um grupo de mães do meu bairro, o  “Mães do Castelo”. Quem me apresentou foi a Vanessa, uma mãe que também se sentia sozinha e decidiu criar uma rede de mulheres na região. Lá eu pude expor a minha situação, ser abraçada e ver que algumas mães tinham problemas muito, mas muito maiores que os meus.

No grupo, recebi a indicação de profissionais que poderiam ajudar o problema da minha filha. Fui até a pediatra Débora Luar, que logo recomendou o tratamento com a psicopedagoga Natacha Galante Braz. Elas me ajudaram muito nesse processo. No começo, meu marido foi contra e disse que não iria pagar psicóloga para uma criança que mal sabia falar. Mas dessa vez minha mãe e meu irmão resolveram me ajudar a bancar as sessões de terapia. Depois de quase um ano de tratamento, conseguimos com que ela parasse de arrancar os cabelos - mesmo ela sendo um bebê que ainda estava aprendendo a andar e a conversar.

Até hoje o grupo de mães é muito importante para mim, participo de encontros, grupos de orações, festinhas de Carnaval e sempre sou muito bem recebidas por todas do bairro. Atualmente eu tenho mais serenidade para falar sobre tudo que aconteceu. As pessoas dizem que as mães precisam pedir ajuda, mas às vezes não fazemos isso por medo de incomodar. Por isso eu sempre digo: apoie as mulheres próximas a você. Não é porque elas não pediram ajuda abertamente, que não precisem de atenção e carinho.”

selo app crescer (Foto: Crescer)

 



from Crescer https://revistacrescer.globo.com/Acolha-uma-mae/noticia/2018/05/acolhaumamae-ter-familia-por-perto-nao-significa-que-alguem-vai-te-apoiar.html

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This Is The Way We Go To Bed | + More Kids Songs | Super Simple Songs
This is the way we take a bath, put on our pyjamas, brush our teeth, read a book, and say good night! We do it every evening! Watch a full hour of some of our daily routine kids songs and nursery rhymes from Super Simple Songs! Subscribe ► http://bit.ly/2r8pNcF Super Simple Songs Playlist ► http://bit.ly/2rCt6XU ****** Get FREE resources like coloring sheets, games, flashcards, and worksheets in the Super Simple Learning Resource Center: https://ift.tt/1yWDBV0 ***** We're Super Social, too! facebook: https://ift.tt/2mmYXL9 twitter: http://twitter.com/simplesongs pinterest: https://ift.tt/1efgnTR instagram: https://ift.tt/2mmRhYW blog: https://ift.tt/1efgmze ***** Super Simple Songs® and Super Simple Learning® are registered trademarks of Skyship Entertainment Company. #nurseryrhymes #kidssongs #childrensmusic #supersimplesongs


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Em um ano, sete bombeiros do mesmo quartel se tornam pais e posam para foto com os filhos

Em menos de dois anos, 7 bombeiros de um mesmo quartel se tornaram pais (Foto: Reprodução/Facebook)

Na foto acima há uma série de coincidências. A primeira delas é que todos esses homens são bombeiros. A segunda, todos trabalham no mesmo quartel. A terceira, todos se tornaram pais nos últimos 15 meses. Isso foi suficiente para que a imagem viralizasse nas redes sociais.

O burburinho começou no último domingo (21), quando Sarah Hutchinson - esposa de um deles - publicou a história no seu perfil do Facebook. "Não bebam a água do quartel dos bombeiros de Glenpool”, brincou. 

Quando as famílias souberam que as crianças nasceriam praticamente ao mesmo tempo, veio a ideia de fazer a foto. Mas o registro só se concretizou depois que o último dos bebês veio ao mundo. Hoje, a equipe do quartel da cidade de Glenpool, no estado americano de Oklahoma, está completa e conta com sete pequenos e novos reforços: duas meninas e cinco meninos.

Apesar de toda a coincidência, eles garantem que nada foi combinado. Em entrevista ao canal CBS News, o bombeiro Mark Whitney, que se tornou pai há 4 semanas, comentou que as famílias são muito próximas: "Todos os homens e mulheres passam tempo juntos dentro e fora da estação de bombeiros. Nós saímos para pescar, passear... É uma dinâmica única", explica. 

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Wednesday, May 23, 2018

Rótulos de alimentos devem mudar ainda em 2018

mulher; supermercado (Foto: ThinkStock)

Quando você vai ao supermercado e precisa comparar dois alimentos processados, sabe dizer qual deles é menos prejudicial para a saúde? Só de olhar o rótulo nutricional, sabe identificar qual tem menos gorduras, sódio e açúcar? Escolher o que vai ou não para o carrinho nem sempre é uma tarefa fácil, ainda mais quando as embalagens são cheias de informações em letras miúdas: ingredientes, porção, valores nutricionais… Mas uma decisão da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) pode mudar essa situação.

Na última segunda-feira (21), o órgão divulgou um relatório técnico que avalia formas de facilitar a leitura dos rótulos de alimentos. Esse é o primeiro passo para que as mudanças possam de fato acontecer. Desde 2014, a Anvisa tem estudado novas alternativas ao modelo de rotulagem existente hoje no Brasil. O objetivo é encontrar uma forma mais simples de passar as informações nutricionais ao consumidor. “As pessoas têm dificuldade de entender e utilizar a rotulagem nutricional. Isso prejudica a realização de escolhas alimentares conscientes”, disse Jarbas Barbosa, diretor-presidente da Anvisa, durante a divulgação do relatório.

+ Pesquisa: CRESCER quer saber como é a alimentação do seu filho

As propostas

 

O Brasil foi um dos primeiros países a adotar a rotulagem nutricional obrigatória. Desde 2003, as embalagens de alimentos devem deixar claras suas composições nutricionais. Nos últimos anos, porém, vários países têm repensado seus rótulos para facilitar o entendimento do consumidor. Chile, Canadá e Israel já fizeram mudanças. Segundo Jarbas, até o segundo semestre de 2018 o Brasil também deve entrar para essa lista, assim que for aprovada a resolução da Anvisa sobre rotulagem nutricional.

Para que isso aconteça, ainda é preciso que uma consulta pública seja realizada. A previsão é de que até o fim desta semana seja divulgada uma Tomada Pública de Subsídios (TPS) no site da Agência. Lá, a população e especialistas poderão opinar e sugerir mudanças para o modelo de rotulagem proposto.

A Anvisa defende que as informações nutricionais - como altos níveis de gordura, sódio  e açúcar - sejam estampadas na parte da frente das embalagens. Os alertas devem ser em forma de triângulo, círculo, triângulo ou tabelas. Após a decisão da consulta pública, o modelo escolhido deverá ser preenchido nas cores preta ou vermelha e estampar em caixa alta os avisos de excesso de componentes prejudiciais à saúde. O modelo é defendido pelo Conselho Federal de Nutricionistas (CFN) e pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec).

Modelo de rotulagem defendido pela Anvisa (Foto: Divulgação/ Anvisa)

 

“Hoje, a forma como as informações nutricionais são apresentadas muitas vezes leva a população a fazer escolhas alimentares pouco saudáveis. As informações relevantes ficam escondidas, quando deveriam estar em destaque para que as pessoas possam entender os potenciais riscos de alguns alimentos”, explica Ana Paula Bortoletto, nutricionista e líder do programa de alimentação saudável do Idec.

Antes de divulgar o relatório nesta segunda-feira (21) e determinar a sua preferência, a Anvisa analisou vários modelos de rotulagem. Ainda que o órgão tenha optado por levar o modelo de alerta frontal à consulta pública, Jarbas Barbosa afirmou que "não há consenso sobre os modelos que seriam efetivos para cada grupo de consumidores" e que "todas as propostas apresentadas possuem diversas limitações". A expectativa é que a consulta pública ajude a estabelecer soluções e a aprimorar o modelo de rotulagem proposto. Se aprovado, as empresas terão de 180 dias a um ano para se adequar às novas regras. 

Proposta da Anvisa sugere que sejam colocados alertas frontais nas embalagens (Foto: DIvulgação/Idec)

 

 

 

 

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selo app crescer (Foto: Crescer)

 

 



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#AcolhaUmaMãe: "É importante os homens saberem que precisam cuidar das mulheres", diz Céu

A cantora, que é mãe de dois, teve o apoio de sua doula e terapeuta e também de seu marido. Ela fala sobre a necessidade que a mãe tem de ser cuidada para, então, poder cuidar do bebê.

 

  

Céu é mãe de Rosa, 9 anos, e Antonino, 2 meses (Foto: Reprodução/ Youtube)

 



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Pesquisa: CRESCER quer saber como é a alimentação do seu filho

salada; alimentação; criança (Foto: Thinkstock)

 

CRESCER está sempre em busca de informações relevantes e orientações confiáveis para ajudar mães e pais na tarefa mais importante da vida: criar os filhos.

Nós queremos saber como é a relação dos nossos leitores com a alimentação infantil e, por isso, preparamos uma pesquisa sobre o assunto. Se o seu filho tem 6 meses até 8 anos, responda este questionário. Clique AQUI e participe! Leva apenas alguns minutos e você não precisa se identificar!

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"Não tenho vergonha de amamentar em público", afirma Eliana, em entrevista exclusiva

Eliana em campanha de amamentação, (Foto: Divulgação)

 

Aos 44 anos, Eliana amamenta com orgulho a caçula, Manuela, pela qual tanto lutou. Quem a vê, com a bebê de 8 meses perfeitamente saudável no colo, não imagina o que a dupla passou para chegar até esse momento. Depois de uma gravidez de risco, que levou ao seu afastamento por 5 meses da televisão, a apresentadora sabe bem definir suas prioridades. Em entrevista exclusiva à CRESCER, ela destaca sua relação com a amamentação: 

"Eu não tenho nenhuma vergonha de amamentar em público. Acho que não tem nada mais bonito do que isso, nem mais necessário. Você vai deixar de dar o leite para seu filho porque alguém acha que é errado, que não pode ou que tem que estar em um lugar apropriado? Isso faz parte do meu corpo. Vazar leite pode ser estranho para os outros, para mim não (...) Não tenho mais esse constrangimento, é muito natural do que eu estou vivendo".

Assista ao vídeo em que ela fala sobre amamentação abaixo: 

 

 

Durante os meses de apreensão, quando ainda não sabia se conseguiria levar a gestação até o fim, a apresentadora resolveu se inteirar sobre prematuridade. "Descobri, por exemplo, que a mãe de prematuro muitas vezes não tem leite, porque o estresse é tão absurdo que ela acaba não produzindo o suficiente", contou, durante entrevista exclusiva à CRESCER. "Foi comprovado que a possibilidade de um bebê prematuro extremo sobreviver é maior com leite materno. É o melhor remédio para todos os bebês. Para um prematuro, muito mais", declarou.

Eliana com a caçula Manuela, de 8 meses (Foto: Divulgação)

 

Consciente dessa necessidade, Eliana se tornou, inclusive, embaixadora da campanha lançada neste mês de maio pelo SBT, “Mulheres de Peito Doam Amor”, que busca estimular as mães com leite excedente a doar e ajudar a alimentar milhares de bebês prematuros. "É tão necessário e, quando a gente não vive isso, não tem a menor ideia. Por mais que eu não tenha precisado ir para a UTI com a Manuela, eu estive lá emocionalmente, eu vivi aqueles momentos e sou muito solidária a essas mães", ressaltou, durante a entrevista.

 

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selo app crescer (Foto: Crescer)

 

 

 

 



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Tuesday, May 22, 2018

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#AcolhaUmaMãe: "Meu marido deixava a comida pronta e até cortada"

A editora da CRESCER, Renata Menezes, conta quem mais a acolheu quando ela se viu sozinha com um bebê recém-nascido nos braços. Saiba mais sobre a campanha (https://glo.bo/2rgy8ev) e participe, postando seu vídeo com a hashtag #acolhaumamãe

 

  

Renata Menezes (Foto: Reprodução)

 

 



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Sobre falar a verdade

criança fala mãe (Foto: Thinkstock)

 

Há alguns dias, estávamos, eu e os meninos, na casa dos meus sogros e o meu sogro nos deu uma carona para casa. Eu sentei no banco de trás do Fusca (carro que meu sogro tem desde 1978 e que os meninos amam) e passei as três quadras que separam as nossas casas separando os irmãos que teimavam em brigar e se provocar sem o mínimo sinal de trégua.

A verdade é que Leo e Caê vivem juntos, se amam, mas também se provocam na mesma proporção. São irmãos e me disseram que com irmãos é assim mesmo (saber disso me consola. Tenho um irmão 17 anos mais velho que eu, então nunca tive essa experiência enlouquecedora. Talvez por isso minha mãe demorou tanto tempo para ter os primeiros fios de cabelo branco).

Mas enfim, estávamos lá, no banco de trás do Fusca, eu no meio tentando manter os dois afastados, quando o Leo soltou um grito dolorido e disse que o Caê o havia beliscado. Eu questionei o Caê que, na hora, com a maior cara lavada, de anjinho que acabou de pairar sob a Terra, negou tudo e disse que nada daquilo tinha acontecido. Na hora, é claro que eu me toquei que ele estava mentindo e isso, para mim, foi algo muito, mas muito marcante. Marcante mesmo. Única e simplesmente porque não tolero mentiras. Não tolero, não aceito, não compreendo - e acho que também não perdôo. Não com facilidade, pelo menos.

Naquele exato momento, senti que precisava, muito, mesmo, de verdade, mostrar para o Caê o quanto aquilo era inaceitável, então, eu falei, firme e forte: “Caê, saiba que você será desculpado por algo errado que fizer. Mas não será desculpado se mentir. Para mim, é assim que as coisas funcionam. Eu não aceito mentiras. Eu não sei viver com mentiras. Quando descubro uma mentira, eu perco a confiança e perder a confiança em alguém é a pior coisa que pode acontecer. Ainda mais quando é alguém que a gente ama muito”.

Hoje, olho para trás e tenho certeza que foi um discurso um tanto quanto complexo para uma criança de apenas 3 anos, mas eu falei com tanta veemência, olhando tão fundo nos olhos dele que, mesmo que ele não tenha entendido todas as palavras, tenho certeza que ele entendeu o sentido delas.

Quando o Caê se deu por conta que aquela mentirinha besta tinha levado quase a uma explosão deixando um buraco negro na atmosfera, ele confessou o que tinha feito e, com toda sua sinceridade, se desculpou. Depois desse dia, não vi mais o Caê mentir quando faz algo errado, não o vi mais esconder as pequenas maldades que faz contra o Leo (que também não é santo e revida!). Desde esse dia, ele assume, todo corajoso, o que fez e diz, claramente, “fui eu”. E aí a gente parte para uma conversa sensata, simples e direta. Que é o que funciona com crianças da idade dele.

Pode ser tudo muito complexo, como eu já disse, por se tratar de uma situação vivida por uma criança de meros 3 anos. Mas eu acredito que é desde essa tenra idade que a gente passa os mais importantes valores da vida. E a verdade, para mim, é um deles.

Caê poderá sempre confiar em mim. Assim como eu espero sempre poder confiar nele. Ele sabe, desde já, que pode me falar a verdade, porque se houver arrependimento, genuíno, ele será perdoado. Eu acho que é assim que se estabelece uma relação saudável, de confiança, entre filhos e pais. Quanto mais cedo a gente deixar as coisas às claras, melhor.  Eles podem ser quase bebês, mas já entendem muito! Principalmente quando esse entendimento envolve compreensão e acolhimento. 

E vocês, como lidam com as pequenas e “inofensivas” mentirinhas do dia a dia? Elas passam batido ou tornam-se oportunidades de ensinar, esclarecer e dar o exemplo?

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Shirley Hilgert, publicitária e relações públicas, é mãe de Leonardo, 5, e Caetano, 2, e autora blog e canal Macetes de Mãe, onde compartilha dicas e experiências relativas à maternidade. (Foto: Kazan Estúdio Fotográfico)

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from Crescer https://revistacrescer.globo.com/Colunistas/Shirley-Hilgert-Macetes-de-Mae/noticia/2018/05/sobre-falar-verdade.html

Empresa árabe cria primeira fórmula infantil produzida a partir de leite de camelo

Embalagem da fórmula infantil com leite de camelo da marca Camelicious (Foto: Reprodução)

 

Fórmula infantil feita de leite de camelo. A novidade a ser produzida a partir de junho foi anunciada pela Camelicious - uma brincadeira com as palavras camelo + delícia que resultaria na tradução “Camelícia”. Sediada nos Emirados Árabes, a empresa produz desde 2006 itens derivados do leite de camelo, como leite em pó, sorvete e até energético.

Destinado a crianças de 1 a 3 anos de idade, o leite de camelo em formato de fórmula infantil ofereceria 10 vezes mais ferro e 3 vezes mais vitamina C do que o leite de vaca, segundo a empresa. Além disso, é parte da tradição local. “O leite de camelo representa uma parte essencial da cultura árabe e islâmica em geral, e da cultura e herança dos Emirados Árabes Unidos em particular. Este leite complementa os valores e tradições locais, que são transmitidos de uma geração para outra”, diz Saeed Juma Bin Subaih, gerente geral da marca, em comunicado sobre a novidade; a primeira do tipo, segundo a Camelicious.

O leite de camelo é comum no deserto, mas segue sendo novidade nas metrópoles - e mais ainda fora do Oriente Médio. Tanto o leite quanto os produtos feitos com ele - há chocolates, cremes, sabonetes - só vieram mais recentemente a ficar conhecidos. Há inclusive uma tendência de fazer o leite de camelo virar moda, parte por conta da criação, nos Estados Unidos, da moderninha Desert Farm, que declarou em 2016 também estar desenvolvendo uma fórmula infantil a partir do leite de camelo.

Seja qual for a marca e o mamífero, vale a regra: nenhum leite é capaz de substituir por completo o leite humano, que segue sendo o mais indicado para bebês: exclusivamente até os 6 meses e prolongadamente até os 2 anos.

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from Crescer https://revistacrescer.globo.com/Curiosidades/noticia/2018/05/empresa-arabe-cria-primeira-formula-infantil-produzida-partir-de-leite-de-camelo.html

@BabyCenter: It's time to raise awareness of preeclampsia and its global impact on the lives of mothers, babies, and families. https://t.co/eMKlQSeZCV

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Jornalista lança livro para auxiliar mães a conduzir desmame gentil

Capa do livro O mamá é da mamãe, de Giovanna Balogh (Foto: Divulgação)

 

O período de amamentação ideal é o exclusivo até os 6 meses, e prolongado até, no mínimo, os 2 anos do bebê, segundo orientação da Organização Mundial da Saúde (OMS). Seja qual for a idade, desmamar requer cuidado. Mas, se por um lado existe livro para tudo o que é assunto no mundo da maternidade - introdução alimentar, treino de sono (!), desfralde -, por outro há espaços a serem preenchidos quando o tema é desmame. O resultado é que, sem informação, as mães que querem ou precisam desmamar recorrem a métodos violentos, como deixar chorar, mentir, enganar, ignorar. O que não é nada indicado, já que, como lembra o pediatra espanhol e colunista da CRESCER Carlos González, “o aleitamento não tem apenas o objetivo de nutrir a criança, mas também de oferecer aconchego e segurança”.

Página interna do livro: desmame conduzido de forma gentil (Foto: Divulgação)

 

Foi pensando nesse vazio que a jornalista, doula e autora do blog Mães de Peito Giovanna Balogh escreveu o livro “O mamá é da mamãe”, à venda via financiamento coletivo online pelo preço mínimo de R$ 35 (24 páginas | 20 X 20 cm). O livro, feito para ser lido com crianças acima de 18 meses, mostra como o mamá está presente na rotina da menina Teca e de sua família. No decorrer da história, a mãe conduz o desmame mostrando que Teca pode fazer outras coisas prazerosas com a mãe, além de mamar. As ilustrações são da designer Anne Pires.


+ Desmame precoce: conheça algumas das causas mais frequentes e aprenda a evitá-las

Giovanna falou com exclusividade à CRESCER sobre o livro:

Por que o desmame gentil é tão importante?
Porque parte do princípio de respeitar a criança e os desejos da mãe. É importante que o binômio mãe e bebê estejam felizes com a amamentação, pois tem que ser prazeroso para ambos, mas se em algum momento não for mais, a mãe pode recorrer ao desmame gentil e amoroso. Não é um desmame em que a mãe se ausenta de casa ou deixa o filho chorando no quarto ao lado por horas seguidas sozinho. No desmame gentil, a mãe acolhe a criança, conversa, regula as mamadas de dia, troca um momento de mamada por uma brincadeira juntos, faz 'combinados' para só mamar durante o dia, enfim, é algo mais amoroso e respeitoso.

Que enganos comuns as mães cometem a respeito do desmame?
Por falta de informação, muitas mães que amamentam de forma prolongada acabam oferecendo uma mamadeira com leite achocolatado ou aplicam produtos no seio (pimenta, café, etc.) na tentativa de mudar o sabor do leite, ou ainda fazem viagem ou dormem longe da criança, deixando ela chorar para fazer o desmame de forma abrupta. Mas não precisa ser assim. A mãe pode fazer o desmame de forma gradual, por exemplo, e seguir amamentando por um tempo maior. muitas vezes um pequeno ajuste faz com que a história de amamentação dela e de seu filho seja até prolongada. É importante permitir que a mulher respeite seu desejo de regular as mamadas ou até parar de amamentar, mas de forma respeitosa. É possível acolher, conversar - e o livro vem para auxiliar nesse processo.

Você acha que existe alguma razão para não haver farto material sobre o assunto?
Sim. Infelizmente, são poucas as mulheres que amamentam de forma prolongada em todo o mundo. As mulheres não são encorajadas a amamentar e recebem pouco apoio da sociedade. Falta material de informação tanto para a mãe que amamenta quanto para a que vai desmamar. Recebo com frequência no site demandas de mães desesperadas, enfrentando noites em claro já com crianças maiores de dois anos. Vemos muitos livros sobre desfralde, então pensei em fazer um sobre desmame. Tenho trabalhado nisso nos últimos dois anos.

 



from Crescer https://revistacrescer.globo.com/Bebes/Amamentacao/noticia/2018/05/jornalista-lanca-livro-para-auxiliar-maes-conduzir-desmame-gentil.html

Fotógrafa registra ensaio com 'mães da vida real'

Maternidade Real (Foto: Reprodução/Pictures By GG)

 

Giedre Gomes é mãe de dois meninos, fotógrafa especializada em retratos de maternidade. Mais do que ninguém, ela sabe como essas fotos superproduzidas não representam a realidade. Pensando nisso, convocou algumas amigas para fazer um ensaio mais realista, mostrando como é o dia a dia de uma casa com crianças - quem é mãe vai se identificar.

"Para minhas clientes, geralmente faço fotos delicadas, de mães beijando seus bebês em campos de flores, tudo lindo. Mas quando chego em casa, estou de volta à vida real com meus dois meninos, e não há arco-íris, unicórnios e borboletas", contou a fotógrafa em entrevista ao Buzzfeed.

A proposta foi registrar a rotina diária de uma mãe, incluindo fazer refeições e faxina, lavar louçae roupa... Diferentemente dos ensaios romantizados, ela não teve tantas voluntárias. "Quando eu dizia que precisaria de alguém que sentasse em uma privada, elas diziam 'ah, não é para mim'. Por sorte, minha vizinha Jamie, que é tão louca como eu, concordou."

Confira a seguir algumas das fotos.

Mãe cozinha e amamenta ao mesmo tempo (Foto: Reprodução / Pictures by GG)

 

Crianças pulam na cama ao redor de mãe tentando dormir (Foto: Reprodução/Pictures By GG)
Mãe tenta tomar banho, enquanto crianças esperam do lado de fora (Foto: Reprodução/Pictures By GG)
Mãe tenta lavar a roupa com criança em cima da máquina de lavar e outra dentro do cesto (Foto: Reprodução/Pictures By GG)
Mãe limpa o nariz da filha com a blusa (Foto: Reprodução/Pictures By GG)
Criança dorme com o pé no rosto da mãe (Foto: Reprodução/Pictures By GG)
Mãe cozinha com uma única mão enquanto carrega bebê (Foto: Reprodução/Pictures By GG)
Mãe lê livro de dicas para criação com duas crianças no colo (Foto: Reprodução/Pictures By GG)
Mãe corre atrás de crianças aprontando em loja de brinquedos (Foto: Reprodução/Pictures By GG)

 

 

 

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from Crescer https://revistacrescer.globo.com/Familia/noticia/2018/05/fotografa-registra-ensaio-com-maes-da-vida-real.html

Monday, May 21, 2018

Primeira opção: adotar

Adoção (Foto: Thinkstock)

 

“Nossa gestação não foi das mais convencionais. Não vimos nossa barriga crescer (...). Em vez de um teste de farmácia, tivemos uma assistente social nos falando que existia a possibilidade de estarmos grávidos".

O trecho acima é parte do depoimento do fotógrafo Rafael Festa, postado no Facebook e compartilhado mais de 113 mil vezes. No texto, ele compara o processo de adoção a ter um filho biológico. Recentemente, ele se tornou pai de Kauan, 10 anos, e, desde então, tem levantado a bandeira da adoção.

Ele não está sozinho. O conceito de família, por muito tempo atrelado à genética, se modificou ao longo dos anos. Com os movimentos sociais que tiveram lugar entre as décadas de 60 a 80, as mulheres passaram a ter mais liberdade para escolher se queriam ou não engravidar. Consequentemente, as relações afetivas foram permeadas por essas possibilidades. “Percebemos como tendência as alternativas à parentalidade, dentre elas, a adoção”, aponta Clotilde Perez, coordenadora do Observatório de Tendências Ipsos. 

Rafael Festa adoção (Foto: Arquivo Pessoal)

 

Segundo a antropóloga Débora Allebrandt, professora do programa de pós-graduação em Antropologia Social da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), a adoção, antes vista por um olhar salvacionista, ganhou o sentido de constituir uma família. “Agora as pessoas não querem simplesmente ajudar essa criança lhe dando um lar, mas tê-la como filho”, explica. “Pensar na adoção como primeira escolha é um produto dessa transformação de sentido. A geração que está por vir já deve conseguir ver isso com mais clareza", explica. 

Histórias assim se espalham e se repetem cada vez mais. CRESCER reuniu quatro famílias que escolheram adotar, sem ter uma impossibilidade de engravidar. Confira os relatos a seguir:

Adoção: "Seu filho já está aí no mundo, só esperando vocês se encontrarem"

Adoção: "Sempre quis ser mãe, mas nunca tive o sonho de ter um filho biológico"

Adoção tardia: "No abrigo, eles não educam as crianças; adestram"

Adoção: "Também queríamos filhos biológicos, mas os do coração sempre foram prioridade"

 

 

 

 



from Crescer https://revistacrescer.globo.com/Familia/Novas-familias/noticia/2018/05/primeira-opcao-adotar.html

Adoção: "Também queríamos filhos biológicos, mas os do coração sempre foram prioridade"

Josie ao lado do marido Giorgio e do filho Gabriel (Foto: Arquivo pessoal)

 

 

"Desde pequena, sempre tive certeza de eu seria mãe por adoção. Quando conheci o Giorgio, hoje meu marido, eu logo avisei que só casaria com quem estivesse disposto a compartilhar esse sonho comigo. Mesmo sem nunca ter pensado na ideia, ele foi super receptivo e teve o coração totalmente aberto para isso.

Anos depois, decidimos que era a hora de ter filhos. Ao mesmo tempo em que “liberamos”, entramos com o processo de adoção. Nem esperamos para saber se a gente teria ou não condições de gestar uma criança. Como tínhamos consciência de que o processo de adoção era demorado, nos programamos para ter os biológicos nesse meio tempo, enquanto nosso filho do coração não chegava.

Tentamos e vimos que não ia dar por meios naturais. Arriscamos inseminações artificiais e fertilizações in vitro para “passar o tempo”. A ideia era que o filho do coração fosse o caçula. Inicialmente, pensamos em adotar bebês de até 2 anos. Depois, aumentamos a faixa etária. Sabíamos que a espera fazia parte. É um caminho legal, curtimos bastante: comprávamos roupinhas, bem devagar, um pouco de cada coisa. Ficamos mais de 6 anos na fila do Cadastro Nacional de Adoção.

+ Adoção: "Seu filho já está aí no mundo, só esperando vocês se encontrarem"

Josie e Giorgio fizeram um ensaio fotográfico para recepcionar o filho (Foto: Arquivo pessoal)

 

Eu sempre soube que o dia do telefonema ia ser o dia mais feliz da minha vida. E foi. 

Alguns dias antes, meu pai veio para Joinville fazer um tratamento de saúde. Passei toda a manhã cancelando nossa viagem de férias e esperando ligações do convênio referentes a autorizações de exames e procedimentos do meu pai. Creio ter sido o primeiro dia, em quase sete anos, que não tive cabeça para pensar: "Será que o telefone vai tocar hoje para dizer que somos papais?" Eu só pensava no meu pai. Antes de sair de casa, meu marido disse que teria um dia cheio. Almoçamos (meus pais, minha irmã e eu) e fui lavar a louça. Quando ouvi o toque do meu celular, larguei tudo e atendi rapidamente sem olhar o número, certamente era do convênio.

+ Adoção: "Sempre quis ser mãe, mas nunca tive o sonho de ter um filho biológico"

O diálogo foi o seguinte:
- Alô?
- Alô, quem fala?
- É a Josie.
- Você e seu marido estão há mais de seis anos na fila da adoção, não é? Então, chegou a vez de vocês! Parabéns, mamãe!! É um menino lindo de 1 ano e 5 meses.

A sequência, vocês podem imaginar. Depois de uma notícia super triste do meu pai, veio a notícia que a família mais esperava. Eu chorava compulsivamente. Sempre pensei que o dia em que isto acontecesse eu iria comprar uma peça de roupa de bebê, fazer uma cartinha e ir até o hospital em que o Giorgio estivesse trabalhando para fazer uma grande surpresa. Que nada. Na hora eu só pensei: ele tem um dia cheio e eu vou garantir que ele saia até a hora marcada para estarmos no fórum. 

Então, liguei para ele:
- Alô, papai!
- Hã, o que tem o seu Josué?
- Chegou a nossa vez! Nós somos papais de um menininho de 1 ano e 5 meses!

Ele demorou tanto para reagir, que achei tivesse desmaiado ou caído a ligação. Até que soltou um: "Eu não acredito!"

Gabriel (Foto: Arquivo pessoal)

 

No outro dia, fomos conhecer o Gabriel. E naquele momento vimos que tinha que ser ele. O amor foi apenas personificado, tomou forma e direção, pois já estava dentro de nós desde sempre. Amávamos aquele menino há milênios. A empatia foi total. Sob a orientação da psicóloga, brincamos com ele, demos almoço e ficou combinado de que a guarda deveria sair mais ou menos uma semana depois. Aí veio a surpresa: nos ligaram dizendo que, diante do nosso entrosamento maravilhoso já à primeira visita, elas tinham conversado com a equipe da vara da infância para liberarem a guarda do Gabi para nós no dia seguinte. 

+ Adoção tardia: "No abrigo, eles não educam as crianças; adestram"

Tivemos que passar a noite no shopping comprando tudo o que faltava para o enxoval. Não vivi a emoção de preparar as coisas com toda a calma para um recém-nascido, ao longo de 9 meses. Mas posso dizer que vivi intensamente a experiência de montar um enxoval completo literalmente da noite para o dia. Com a ajuda impagável da minha mãe e da minha irmã caçula.

Quando levamos o Gabi do abrigo para casa, ele dormiu nos meus braços pela primeira vez. E, neste momento em diante, não é que não importava que eu não o tivesse gestado na minha barriga. Eu tinha, sim, gestado, amamentado, presenciado seus primeiros passos, acompanhado o nascimento do seu primeiro dentinho, segurado a sua mãozinha em todas as vacinas. Eu tinha feito tudo. Daquele momento em diante eu era uma mãe plena. Eu havia vivido tudo aquilo. Ele é meu e sempre foi. Este pedacinho de gente me pertence e eu a ele desde sempre. Não sinto falta de nada. Sou uma mãe completa. Hoje posso dizer que o amor que vem da adoção é tão grande quanto o sentimento de gerar um filho."

selo app crescer (Foto: Crescer)

 



from Crescer https://revistacrescer.globo.com/Familia/noticia/2018/05/adocao-tambem-queriamos-filhos-biologicos-mas-os-do-coracao-sempre-foram-prioridade.html

Adoção tardia: "No abrigo, eles não educam as crianças; adestram"

Lili Martins (Foto: Arquivo Pessoal)

 

"Desde nova eu falava que teria quatro filhos e que um deles seria por meio da adoção. Quando casei com o João Paulo, ele compartilhava dessa ideia de adotar. Primeiro, tivemos nossa filha, Luiza. Quando ela tinha 10 anos, vimos que nossa vida já estava estabilizada e que poderiam vir outros. Entramos na fila de adoção. Colocamos que poderia ser uma criança de 2 a 7 anos, até irmãs, com doença tratável, independente de raça. Só especifiquei mesmo que queria uma menina. Um ano e oito meses depois, nos ligaram de São Paulo.

Fomos até o fórum fazer a entrevista e já na saída deixaram que fôssemos até ao abrigo conhecer as duas meninas, o que não é de praxe. Naquele primeiro encontro, já começamos a gostar delas. A gente gosta primeiro do nome, depois do jeitinho das crianças... Nisso, ficamos indo três meses para São Paulo, toda semana. A gente saía daqui de domingo a noite de ônibus, chegava lá segunda de manhã para ficar três horas com as meninas. Toda semana.

Até que chegou o feriado do dia 2 de novembro e deixaram elas virem para cá. Passaram 4 dias com a gente. Nos disseram que se elas gostassem da gente, da casa, poderiam voltar já para guarda provisória. Quando voltamos lá, uma sexta-feira, elas estavam nos esperando. Segundo as moças do abrigo, elas chegavam todos os dias da escola e sentavam na frente do portão, esperando a gente chegar. Trouxemos elas.

Durante o ano que se seguiu, ninguém ligou. Nenhuma assistente social. Nem para saber se a gente era maluco ou não, se estávamos tratando as meninas bem. Foi como se tivessem dado um filhote de cachorro… Falam que a adoção é tanta burocracia, mas, no final, nos deram as crianças sem se preocupar para onde elas iriam. Eu mesma tive de ir atrás para ver em que pé estava o processo. A assistente veio até minha casa, fez a entrevista com as meninas e, dentro de um mês, chegou a carta judicial de que eu poderia cancelar a certidão de nascimento delas de São Paulo e registrá-las aqui com nosso nome.

Noeli Martins adoção (Foto: Arquivo Pessoal)

 

O primeiro ano foi punk, porque no abrigo eles não educam as crianças; adestram. A Amanda tinha 5 anos e a Alice tinha 7. Elas sabiam arrumar cama, lavar a louça, mas não tinham noção alguma de higiene, agiam como bebês. A Amanda sabia cinco palavras com 5 anos. Além do vocabulário pequeno, ela não sabia chorar, não andava direito, nem sabia o que fazer com as mãos... Elas até que se adaptaram fácil. Para nós, foi mais difícil. 

Quando falamos em adoção, é necessário não ter pena. As pessoas diziam para elas “tadinhas”. Até hoje eu falo, “tadinhas, não”. Elas não são dignas de pena, elas tiveram muita sorte em ter pais que as adotaram. Acima de tudo, a adoção é uma escolha muito gratificante. As pessoas dizem, “Eu te admiro pelo que tu fez por elas”, mas é gratificante para nós. Elas nos ensinaram muito sobre amar uma pessoa que você nunca viu, que veio da barriga de outra pessoa... Ensinaram que o amor pode ser igual, exatamente o mesmo.

Depois de 7 meses, eu engravidei sem querer. Veio a Larissa para consolidar o que é amor de irmão, porque elas sequer tinham isso uma com a outra. Elas brigavam, se arranhavam, batiam uma na outra… Tudo isso, a gente teve que ensinar. Muitas vezes, assumo que tinha vontade de desistir, e meu marido sempre dizia 'não desiste, porque senão eu também desisto, vamos aguentar firme”'. Vai completar 8 anos que estamos todos juntos. São quatro filhas e muito amor."

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Adoção: "Sempre quis ser mãe, mas nunca tive o sonho de ter um filho biológico"

Helena ao lado do marido e da filha, Maya (Foto: Arquivo pessoal)

 

 

"Sempre quis ser mãe por adoção. Para mim, não era um sonho ter um filho biológico. Quando dizia que não tinha vontade de engravidar, as pessoas perguntavam o por quê e eu dizia que era uma questão de valores, não tinha nada a ver com o ganho de peso ou das mudanças do corpo. Quando conheci o Giuliano, meu marido, logo disse que não tinha sonho de ficar grávida. Ele não viu problema nisso.

Casamos, compramos um apartamento e a primeira coisa que arrumamos na nossa nova casa foi o quartinho da nossa filha. Ainda nem estávamos na fila de adoção, mas já sabíamos que teríamos uma menina. Colocamos prateleiras, contratamos o pintor e deixamos tudo pronto. Quisemos fazer tudo rápido porque não sabíamos quanto tempo ia demorar para a nossa filha chegar. Na gestação você tem 9 meses para se preparar, mas eu achava que teria menos tempo que isso. Por dois anos, o quarto ficou montado e fechado. Pensamos várias vezes em desistir e fazer uma sala de jogos ali. Meu marido então pediu que entrássemos logo com o processo de adoção. 

Enquanto ainda estávamos na fila, criamos um “nome fictício” para a nossa filha. Ela se chamava Natasha Kelly. Criamos um álbum no Facebook e pedimos para nossa família e amigos tirarem fotos com plaquinhas contando como estavam ansiosos com a chegada dela. Criamos até a hashtag #vemnatasha. Todos sabiam que a gente queria adotar e a maioria deles nunca foi contra. Mas a família do meu marido sempre teve um pé atrás com essa nossa decisão, diziam que era coisa da minha cabeça. Aos poucos, foram se acostumando com a ideia. Começou com “eles vão pegar para criar”, evoluiu para “eles vão adotar” e no fim viviam perguntando “cadê a minha neta?”. 

Família e amigos fizeram um álbum de fotos para recepcioná-la (Foto: Reprodução/Facebook)

 

No dia 29 de outubro de 2015, depois de dois anos de espera, finalmente recebemos a tão esperada ligação. Descobrimos que seríamos pais de uma menina de 3 anos e 9 meses que, por coincidência, tinha Kelly no nome. Ela foi registrada como Maya Kelly. 

Na terça-feira seguinte, fomos conhecê-la. Achei que fosse chorar o tempo inteiro, mas consegui me controlar. Entramos na sala e ela sentou no nosso colo, trazendo um álbum com as nossas fotos. Quando perguntamos quem eram aquelas pessoas, ela apontou para a foto do meu marido e disse “é o meu pai”.

Depois que ela veio para casa conosco, a adaptação foi longa e a Maya passou por várias fases diferentes. No começo, tudo era lindo. Depois ela começou a falar como um bebê. Até que começaram as agressões, ele me mordia, me chutava. Foi bem difícil. Ela estragou quase todos os brinquedos que tinha ganhado, mas hoje está super bem. Às vezes, pergunta sobre a “mãe de verdade”, mas explico e logo ela entende. Esses dias mesmo ela me disse que a "outra mãe" deveria ser muito gentil, porque sabia que estava doente e deu a bebê para que o juiz entregá-la a uma família que queria uma menina.

Maya hoje tem 6 anos de idade (Foto: Arquivo pessoal)

 

A Maya não conheceu os genitores. Ela saiu do hospital e foi direto para o abrigo. Mas se um dia quiser conhecer os pais biológicos, vamos dar todo o acesso. Sabemos que não é a genética que nos torna mais ou menos pais. A questão genética define a cor dos olhos, da pele e só. O mais importante é o tempo que ela passa com a gente e os valores que a gente transmite. Hoje eu sou super realizada. Sempre quis ser mãe e isso não significa necessariamente gerar filhos, não acho que tenha que ser por vias biológicas. Para mim, a adoção nunca foi um plano B."

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